“Jogador Número Um”: Habemus Spielberg!

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Ano passado, quando esteve preste a lançar seu mais novo filme de ficção, o aguardadíssimo “Jogador Número Um” (Ready Player One), Steven Spielberg resolveu puxar o freio de mão diante do cenário que se instaurava na política americana e seus ataques à imprensa, vindo diretamente do “chefão” do país, Donald Trump. Da maneira que sabe fazer melhor, Spielberg resolveu dar seu recado à ele produzindo e lançando em tempo recorde o preciso “The Post”, onde radiografa a história real ocorrida em meados da década de 70, quando foram descobertos documentos secretos – “Pentagon Papers” – onde presidentes americanos (Truman, Eisenhower, Kennedy e Johnson) mentiram para o congresso sobre a derrocada que estava sendo a guerra do Vietnã e como essa descoberta repercutiu na mídia. O filme, que nos brindou com de Tom Hanks e Meryl Streep contracenando pela primeira vez, concorreu a dois Oscar e botou mais lenha na fogueira na batalha da imprensa e o fantoche presidencial americano.

Eis então que, finalmente, a poeira deu uma baixada e Steven nos presenteia com um filme que resgata o melhor do gênero que ajudou a consagrar sua reputação de mestre da sétima arte.

“Jogador Número Um” é baseado no livro de mesmo nome escrito por Ernest Cline. A história se passa em 2044, quando a humanidade se conecta no Oasis, uma utopia virtual, onde as pessoas podem viver o que sonham, interagir com outros jogadores e até se apaixonar. Mas o protagonista Wade Watts (Tye Sheridan, de “X-Men: Apocalipse”) tem como objetivo principal resolver o enigma do criador do Oasis (Mark Rylance, de “Ponte dos Espiões”), que escondeu uma série de pistas na realidade virtual para premiar quem resolvê-las com a herança de sua enorme fortuna – e até o próprio Oasis. Além de Wade, todos os habitantes vão fazer de tudo para conseguir o prêmio. Mas, mantendo a tradição dos heróis nos filmes de Spielberg, o jovem protagonista tem uma vantagem com relação aos outros, pois as chaves do enigma são baseadas numa cultura esquecida que ele domina: o entretenimento pop dos anos 1980.

Desde 2011, Steven vinha apenas dirigindo filmes realistas, focados em acontecimentos reais ( “ Ponte de Espiões”, “Lincoln”, “Cavalo de Guerra”), mas que não estavam agradando nem a crítica, nem o público. Em 2016 tentou reverter essa situação e fazer as pazes com o sucesso ao voltar “falar” com o público jovem/ infantil lançando o chato e insosso “O Bom Gigante Amigo”( The BFG). Uma tremenda bola fora.

Mas, como o pai do E.T. não é bobo nem nada, ao ler o livro de Cline, enxergou a história que precisava para arregaçar às mangas e se superar em todos os sentidos. E, pela graça divina, ele fez um golaço de placa.

Misturando realidade e efeitos especiais animados, o filme nos faz voltar a velha infância / juventude de forma graciosa, usando e abusando de varias referencias à cultura pop dos nos 80 e 90, assim como filmes da época como “De Volta para o Futuro”, “Homem de Ferro”, “Chucky”, entre outros. Mas isso tudo não está lá por acaso. Pois, o público alvo do filme são os “nerds”, ou “geeks”, e essas referencias são como eles veem o universo em que vivemos. Mas, a questão principal do filme, ou melhor, sua crítica, é sobre essa fixação pelo mundo virtual e os efeitos que isso pode ter nas pessoas. No entanto, este filme depende do seu imenso amor por esses elementos – você mesmo, leitor. Talvez muito disso venha do roteiro do autor do romance. Mas trazer esse fantástico universo às telas com tremendo apuro e perfeição não teria sido possível sem a paixão de alguém que desde sempre cresceu envolto num mundo de sonhos e imaginação. Muito Obrigado, Steven Spielberg.

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“15h17- Trem para Paris”: decepção total

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Clint Eastwood parece estar padecendo do mesmo mal que aflige Ridley Scott com o passar dos anos: o cansaço criativo. Idade pesando? Talvez. Fato é que, a cada obra lançada, ambos já não demonstram nem de longe a sagacidade de outrora, quando fizeram marcos da sétima arte como “Alien” e “Blade Runner”, no caso de Scott, e “Os Imperdoáveis” e “Bird”, no caso de Eastwood.

Depois do fracasso no resgate do seu famoso monstrengo com “Alien: Covenant”, Ridley tentou se reconciliar com os fãs lançando o tão aguardado “Todo o Dinheiro do Mundo”, que acabou sendo uma tremenda bola fora. Agora, Eastwood , depois do fraquíssimo “Sully”, onde nos brindou com um Tom Hanks canastra, tenta se reerguer com mais uma história verídica para fechar a trinca que começou com o razoável “Sniper Americano”:  “15h17 – Trem pra Paris”. Infelizmente, um trabalho desastroso em todos os sentidos.

Mais do que inspirado no ocorrido na tal viagem de trem para Paris em 2015, onde 3 jovens militares americanos impediram a ação de um terrorista que, a priori, liquidaria todos os passageiros, Eastwood resolveu fazer algo inusitado: filmar a narrativa do fato usando os próprios amigos, em vez de escalar atores para interpretá-los. O que parecia algo muito arriscado, já que nenhum dos três tinha experiência em frente às câmeras, até que não foi de todo mau – dois levam a responsa na boa e apenas um peca na arte de ser ele mesmo -. Porém, já que o tempo da ação em si não dura mais do que alguns minutos, o que mal daria um curta – pois logo que o terrorista saiu do banheiro armado e atingiu um passageiro, os amigos entraram em ação e o imobilizaram-, Eastwood resolveu voltar no tempo e contar como os “heróis “ se conheceram, indo da infância, passando pela adolescência, até chegar na fatídica viagem. E foi exatamente ai que ele errou feio.

Pra começar, a escolha dos atores mirins foi péssima, chegando ao cúmulo de um deles olhar pra câmera algumas vezes. A fase da adolescência idem, onde além de interpretações forçadas, os diálogos que já eram ruins com os moleques ficam mais enfadonhos ainda.  Quando os verdadeiros protagonistas aparecem, aí começa o “samba do criolo doido”.

Desde situações extremamente caricatas, como a razão para se alistarem nas forças armadas, passando por crises existenciais e lições de moral, até o motivo que os levou a viajar, a história é jogada para o público sem nexo ou qualquer tipo de empatia. Ao chegarem na Europa, então, parece que Eastwood resolveu deixar a narrativa de lado para mostrar pontos turísticos – com ênfase em certos locais de consumo, destacando seus nomes – colocando os personagens em situações que não acrescentam nada à trama – e os diálogos idiotas se destacando cada vez mais- , além de esbarrarem com pessoas que parecem que vão acrescentar algo e somem do nada. A sensação que temos é que o filme ainda não começou. Uma catástrofe.

E com esse andar da carruagem, eis que deparamos com o verdadeiro motivo do filme ter sido feito: o principio de ataque no trem, seguido do final “apoteótico” deles sendo condecorados pelo presidente da França pelo ato de bravura. Só que até ai, já se passaram uma hora e vinte de filme. Ou seja, 99% da duração: o filme tem uma hora e meia.

Ao acender das luzes, a sensação que fica é a de termos perdido nosso tempo vendo mais um exemplo de oportunismo americano barato, de forçar uma barra para fazer o que lhes é de praxe:  afagar o próprio rabo.

“Trama Fantasma”: a arte da manipulação

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Que Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis são mestres em seus ofícios, todos nós já sabemos. Agora, quando os dois se juntam para serem peças da tapeçaria de um mesmo filme, com certeza o resultado é uma obra primorosa.

“Sangue Negro” ( There Will Be Blood), a primeira dobradinha de ambos, já é considerado um dos melhores filmes já feitos na história do cinema. E eu assino embaixo. Porém, se manter o mesmo time de craques fosse fator predominante para golear sempre que entrasse em campo, seria loucura ousar jogar contra o Barcelona.

Metáforas à parte, depois de um hiato de dez anos, Anderson e Lewis retomaram a tão consagrada parceria para mais um pretensioso espetáculo. Contudo, mesmo com tanta pompa e cheio de méritos, “Trama Fantasma”(Phantom Thread) não consegue alçar um vôo tão alto quanto seu antecessor.

Sim, sem dúvida nenhuma o filme é muito elegante, delicado e precisamente bem executado – desde a direção de fotografia, de arte, figurino; até a direção primorosa de Paul e as interpretações excepcionais de Daniel e “suas mulheres”, as atrizes Vicky Krieps e Lesley Manville- Entretanto, o roteiro – assinado pelo próprio diretor -, esse sim, o fio que ajusta todos acima, peca um tanto na sua narrativa.

Na trama, Day Lewis interpreta um design de moda chamado Reynolds Woodcock, um sujeito super conceituado, mas bastante obcecado com ordem e simetria – tanto no trabalho quando na sua vida pessoal. Num belo dia, se apaixona por uma jovem garçonete, Alma, (Krieps), que vai lhe servir como uma modelo de teste dos vestidos feitos por ele e nada mais. Porém, cansada de ser apenas uma peça no seu “tabuleiro teatral” chamado vida, ela começa um confronto com ele. Tudo sob os olhares e conselhos, para ambos os lados, da irmã de Woodcock/ governanta da casa, Cyril (Lesley).

Assim, embalado nessa trama e no título capcioso do filme, Anderson mete meio que o pé pelas mãos com pequenas pretensões sobre a arte de se criar alta costura, e mensagens secretas envoltas nos vestidos feitos por Woodcock e seus pesadelos fantasmagóricos. As belíssimas cenas entre ele e sua esposa, não passa apenas da beleza estética em si do que algo realmente interessante. Não há nenhuma revelação relevante ou qualquer tipo de uma visão analítica mais profunda da psique humana – a qual esperamos ansiosamente em se tratando de um longa do idolatrado diretor.

Com um andamento lento, em quase duas horas e 15 de duração, o longa não fica impregnado em nossa memória – a não ser a lembrança de ver belos vestidos, bela fotografia e uma música um tanto chata que serve pra preencher lacunas-. Ao contrário de “Sangue Negro”, onde o filme fala por si só, com “Trama Fantasma” Anderson tentou fazer exatamente com o público o que seu criativo Woodcock faz com todos ao seu redor: a arte da manipulação.

“Pantera Negra”: um acontecimento cultural

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Em pleno 2018 ainda existe quem acredite na fantasia de inferioridade negra. Há ainda quem não saiba que o homem mais rico da história mundial foi o imperador africano Musa I no século XIV. E há quem ache qualquer oportunidade de se qualificar a luta contra discurso racista apenas como um “mimimi”.

E é por isso que, para a cultura pop, “Pantera Negra” (Black Panther), da Marvel Studio (Disney),  vem como o filme de origem de um super-herói mais importante do estúdio. E, apesar de algumas pessoas insistirem que a “nova onda de representatividade” será o fim dos filmes desse gênero, a personagem africana figura nos quadrinhos da Marvel desde julho de 1966 mantendo desde então importante protagonismo nesta mídia. Portanto, nada mais justo que ganhasse um filme solo.

Dirigido por Ryan Coogler e com roteiro de Joe Robert Cole, o filme tem como seu protagonista o ator Chadwick Boseman no papel de T’Challa, o novo Rei de Wakanda. O personagem já havia aparecido em “Capitão América: Guerra Civil”, onde partiu para se vingar do antagonista Zemo pela morte de seu pai, o Rei T´Chaka. Porém, ao confrontar o vilão, em vez de mata-lo, tem uma epifania de nobreza e dignidade e o entrega às autoridades. E é nesse momento que tal atitude o diferencia de cara das personagens do filme (Capitão América, Bucky o Soldado Invernal e o Homem de Ferro), todos mais preocupados com seus problemas e questões pessoais do que com heroísmos.

Atrama parte de onde Guerra Civil deixou a personagem: T´Challa tem que passar por um ritual de combate para assumir o lugar de seu falecido pai e assim herdar seu trono. Seu reino, Wakanda, é mundialmente conhecido por ser apenas um país de terceiro mundo de fazendeiros, mas, como foi visto em “Vingadores: Era de Ultron” e no próprio “Guerra Civil”, esconde um importante segredo: é a nação mais rica e avançada de todo mundo, bem no meio da África, onde, num passado remoto, caíra um meteoro de puru Vibranium (metal do qual o escudo do Capitão América é feito). O filme começa com uma linda animação que mostra como as cinco tribos que compõem o reinado de Wakanda decidem esconder-se do resto do mundo para manter suas riquezas e tradições.

São apresentadas então as demais personagens saídas diretamente dos quadrinhos: Danai Gurira, que já havia aparecido em “Guerra Civil” como Okoye, volta agora com uma versão muito mais poderosa da líder das Dora Mijare, o grupo de elite feminino de guerreiras Wakanda; Lupita Nyong´o como Nakia, dá corpo a uma personagem bastante importante para T´Challa, Michael B. Jordan como o amargurado e poderoso vilão Erik Killmonger; Daniel Kaluuya como W’Kabi, o responsável pela fronteira e antigo amigo de T´Challa; Letitia Wright é Shuri, a irmã do novo Rei e princesa herdeira de seu trono, que cuida da parte tecnológica do super-herói (rivalizando o gênio do Homem de Ferro com muitos mais recursos), Angela Bassett como a digna e vistosa Rainha Mãe Ramonda; Martin Freeman retorna também de “Guerra Civil” como o Agente da CIA Everett K. Ross, assim como Andy Serkis que já havia aparecido em “Era de Ultron” no papel do contrabandista de Vibranium Ulysses Klaue, o Garra. O filme ainda conta com Winston Duke como M’Baku, o líder tribal e opositor do novo Rei e, claro, destaque para Forest Whitaker como Zuri, o sacerdote e zeloso amigo do antigo rei.

Tomando tempo para contar a história, sem o ritmo alucinado e fragmentado de outros filmes de origem recentes do gênero, cria-se um tributo as várias Áfricas que figuram na sofisticação dos trajes, dos adornos, dos visages e nas referências visuais no futurismo que permeia o ambiente da ficcional Wakanda.

O filme emociona em alguns pontos, eletriza em outros e deixa bastante satisfeito todos que o assistem. Plateias de africanos e afro-descentes de todo mundo ocupam as salas de cinema para curtir, chorar, ovacionar e aplaudir de pé o seu Super-Herói e eles têm todas as outras etnias como companheiros para celebrar a importância de se aceitar e festejar as diferenças, igualmente bradando: “Wakanda para Sempre”.

Crítica de Daniel Braga.

 

“Todo o Dinheiro do Mundo”: nada a declarar

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Depois de tentar retomar a franquia Alien com sua sagacidade de outrora e meter os pés pelas mãos, Ridley Scott parecia ter tomado tenência ao passar a batuta da direção do novo Blade Runner ao seu pupilo Dennis Villeneuve e ficar só no cargo de produtor. Para alguns ele já demonstrava cansaço ocupando a cadeira de diretor, para outros, como eu, era preciso ele voltar do espaço sideral -seus últimos 3 filmes se passam lá- e pisar em terra firme capitaneando um projeto novo e inusitado. Eis que surge “Todo o Dinheiro do Mundo” (All The Money in The World), baseado na história real do sequestro do neto de um dos homens mais ricos do mundo, Jean Paul Getty, e recusa dele em pagar o resgate.

Porém, o que tinha tudo para ser o tapa de luva de pelica de Scott naqueles que achavam que ele já não é mais o mesmo, acabou sendo um tiro pela culatra e deixou muito, mas muito a desejar.

Depois de conseguir aumentar a expectativa de crítica e público ao fazer uma      “troca de atores” aos 47 do segundo tempo , quando resolveu refilmar as cenas nas quais o personagem de Jean Paul Getty era interpretado por Kevin Spacey e troca-lo por Christopher Plummer – devido as várias acusações de assédio sexual que vieram à tona contra Spacey- , Scott parecia querer deixar claro que estava para lançar seu filme de redenção a qual todos esperavam e nada poderia estragar sua festa.

Contudo, o que se vê é um filme mediano, pra lá de arrastado, o qual parece ter sido filmado com freio de mão puxado, tanto no quesito roteiro – com personagens superficiais e diálogos sem graça – quanto de direção – estilo feijão com arroz-. A única interpretação que merece elogios é, curiosamente, a de Plummer, o substituto, com seu minimalismo ímpar – não é à toa que conseguiu uma indicação ao Oscar. Mark Whalberg e Michelle Williams ficam a ver navios.

No fim das contas , parece mesmo que Scott nunca vai conseguir sair do mar de lama criativa no qual se meteu há anos e vai continuar lutando por um suspiro de elogio a cada filme que lança até chegar o momento no qual o melhor a fazer será se reiventar ou definitivamente jogar a toalha.

“Me Chame Pelo Seu Nome”: uma obra de arte

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O faro inato do produtor brasileiro Rodrigo Teixeira vem se mostrando cada vez certeiro com suas escolhas em apostar nos mais variados gêneros de filmes e conseguir agradar tanto os críticos quanto o público. Seu último tiro certo, ou melhor, gol de placa, é o sensacional “Me Chame Pelo seu Nome” ( Call me By Your Name).

Dirigido com extrema delicadeza pelo italiano Luca Guadagnino, a história de amor entre dois homens, na verdade, entre um homem maduro, Oliver (Armie Hammer- excelente), e um jovem adentrando a puberdade, Elio (Timothée Chalamet – sensacional), é de uma sensibilidade ímpar.

Filmado inteiramente no norte da Itália, o filme possui uma fotografia singular, onde a beleza da natureza se complementa com a exuberante arquitetura de época, seja da casa da família de Elio ou da pequena vila onde toda família transita.

O roteiro, escrito pelo consagrado James Ivory ( “Vestígios do Dia”, “Jefferson em Paris”, dentre outros), baseado no livro de André Aciman, a princípio, podemos dizer, não tem um “plot” original. Quem nunca viu um filme onde um homem mais velho se apaixona por uma jovem – filha de um amigo, de preferencia- numa viagem de verão na casa do pai dela, levante a mão? Pois bem, mas essa história de amor em questão, além de se passar entre dois homens, possui diálogos e situações muito originais, muitas até totalmente inesperadas.

Esse é um tipo de filme que discorrer em palavras sobre sua extrema beleza – em todos os sentidos – não vai se quer chegar perto da experiência de vê-lo na telona. Uma experiência única que vai aguçar todos os seus sentidos, levando aqueles que ainda resistem com certo preconceito a acordarem para o mundo à sua frente.

“O Rei do Show”: apenas um esboço

 

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Desde 2009, Hugh Jackman sonhava interpretar na telona o lendário “showman” P.T. Barnum, um empresário do ramo de entretenimento norte-americano responsável por fraudes famosas, que acabou fundando o circo que viria a se tornar o mundialmente conhecido “Ringling Bros. And Barnum and Bailey Circus”.

Quase dez anos depois, nos moldes de um musical, Jackman finalmente conseguiu realizar seu sonho. Porém, ele não contava com um ralo traiçoeiro logo à frente.

 Sob a batuta do diretor estreante Michael Gracey, o projeto tão sonhado por Jackman acabou se tornando um filme tão raso, mas tão raso – em todos os sentidos-, que a sensação que temos durante toda a projeção é que apareceria um personagem quebrando a quarta parede (que é o que gostaríamos que acontecesse) e diria: “Ei pessoal, vocês acharam que isso era sério? Claro que não! Vamos voltar no tempo e começar tudo de novo. Só que agora com ‘punch!’”

 Desde a direção frouxa, com cenas cantadas, coreografadas e dirigidas como se tivessem sido inspiradas em um livro de receitas da Bela Gil, passando (batido!) por um roteiro fraco de dar dó – cheio de clichês bregas pra tentar dar algum sentido à sua existência – até interpretações canhestras, o filme nem sequer consegue alçar voo.

 Pena que essa magia que Jackman tanto sonhara em levar para as telonas tenha ficado apenas no set de filmagem, pois o produto final é apenas um leve esboço do que ele poderia ter sido.