“Promessas de Guerra”: uma carta para Russel Crowe

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Caro Russel Crowe,

Juro pra você que fui assistir “Promessas de Guerra” (The Water Diviner) levando a maior fé na sua primeira empreitada como diretor. Te admiro muito como ator, mesmo você tendo sido canastra muita vezes, e acredito que você tenha potencial para reger um filme. E, na boa, achei ótimo você contar uma história de um pai que viaja da Austrália até a Turquia, depois da famosa batalha de Gallipoli, em busca dos três filhos desaparecidos. Com certeza, por ser australiano fake e pais de dois filhos, a escolha dessa premissa deve ter tido um lado sentimental muito forte. Entendo perfeitamente. E por ter sido pupilo de mestres como Michael Mann, Curtis Hanson, Sam Raimi, Taylor Hackford, Ron Howard, Peter Weir, James Mangold, Darren Aronofsky e, principalmente, Ridley Scott, seu aprendizado por osmose nos sets aumentou ainda mais minha fé.

Sendo bem sincero, a priori você pegou minha atenção. Mesmo com um ou outro clichê, fui indo. Indo, indo… até que, infelizmente, não deu mais. Caramba, Crowe. Parecia que estava vendo um quadro sendo pintado na minha frente, quando de repente tintas começaram a ser jogadas a esmo na tela, ao mesmo tempo que buracos eram consumados pelo pobre pincel. Que decepção. Ridley já viu isso??

Olha, não sei por onde começar, mas preciso botar os pingos nos is. Clichês são aceitáveis, mas até certo ponto. Quando eles começaram à aparecer a torto e a direito, danou-se. Pior ainda quando vão aparecendo com o acréscimo de diálogos de matar de inveja os novelistas mexicanos. Ai foi demais. E a trilha? Você realmente estava presente na hora da montagem? O que foi aquilo? Um exagero sem fim, cena após cena, com melodias pra lá de nauseantes. Por acaso o compositor é aquele seu primo querido que fez curso de composição online? Só me falta alguém dizer que o final brega novela das sete foi uma homenagem sua a “Casablanca”.

Russel, meu nobre, desculpe a sinceridade, mas como um fã seu preferi ser bem sincero em vez de ficar tecendo elogios sem nexo pra não ficar mal com os colegas e profissionais do meio. Sei que nem sempre acertamos na primeira, mas, numa próxima aventura, lembre-se sempre da máxima das máximas – acredito que Mann deve ter te perturbado com isso – : menos é mais. Bola pra frente!

Atenciosamente,

Rod Carvalho

Assista o trailer abaixo – o filme estréia quinta que vem, dia 28:

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