“Nocaute”: Antoine Fuqua baixando a guarda

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Se meter a usar o mundo do boxe como cenário de um drama existencial e conseguir fazer algo que preste é para poucos. Stallone se consagrou com o primeiro “Rocky”, Zefirrelli levou o mundo às lágrimas com “O Campeão”, e Scorsese deu uma aula magna de direção com o cultuado “Touro Indomável”. Depois disso, salvando as exceções “Menina de Ouro” e “O Lutador”, foram apenas bolas fora. Mas, como ainda existem cineastas que gostam de se reinventar – ou apenas, se testar – o tema voltou a tona nas mãos do diretor Antoine Fuqua que, dando um tempo da seara policial, resolveu encarar esse desafio.

Em “Nocaute”(Southpaw), Fuqua teve a sagacidade de escalar como protagonista Jake Gyllenhaal, um ator cujo a entrega e imersão em seus personagens é total. Mas, por outro lado, pecou no fator essencial para um filme ser bem sucedido: um roteiro criativo. E, como todo bom ser humano, não importa o talento que tenha, Gyllenhaal não consegue tirar leite de pedra.

Na trama, onde o boxeador Billy Hope perde tudo – dinheiro e sua sanidade mental- depois da morte trágica da mulher, e tenta se reerguer para conseguir a custodia da filha que está sob a guarda do serviço de proteção as crianças, vemos todos os clichês do gênero em alto grau de octanagem.

O roteiro de Kurt Sutter (“Filhos da Anarquia”) tenta ludibriar o espectador de forma tão descarada que, ao somar toda a genialidade shakespeariana dos seis filmes da série “Rocky”, com direito a uma pitada de “Karate Kid”, acaba se passando por um malandrão tentando vender papel higiênico usado como se fosse novinho em folha.

E mais. Como se esse roteiro previsível – e seus diálogos canastras- não fosse suficiente, somos “lembrados” que devemos nos emocionar em muitos momentos dramáticos com o uso excessivo de uma trilha alta e piegas.

No final das contas, o filme pode até entreter o espectador mais desavisado, ou melhor, não cinéfilo. Mas com certeza é uma decepção para os fãs de Fuqua. Jake Gyllenhaal que o diga.

Assista ao trailer:

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