“A Travessia”: quando a ficção não chega aos pés do documentário

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Fazer um filme de ficção sobre uma história real interessantíssima pode ser uma tarefa prazerosa. Contanto, se a mesma já foi tema de um documentário maravilhoso, cujo o ápice do sucesso foi abocanhar o Oscar na categoria, essa incumbência pode ser também um tanto árdua.

A história em si é simplesmente fantástica. Em 1974, o trapezista francês Philippe Petit atravessou as torres do World Trade Center, em Nova York, de ponta a ponta, se equilibrando numa corda bamba, sem qualquer tipo de autorização ou, se quer, rede de proteção.

No primeiro terço de “A Travessia”(The Walk), o consagrado diretor Robert Zemeckis (“De Volta para o futuro”, “Forrest Gump”) já demonstra uma certa preguiça quando resolve contar um pouco da vida de Petit (Joseph Gordon-Levitt). De uma maneira demasiadamente explicativa, ele opta por uma narração em off a todo momento, entregando o motivo de optar por esse recurso batido quando o mostra o personagem principal – um Gordon- Levitt mais imitando do que interpretando- narrando sua história em cima da estátua da liberdade, olhando diretamente pra câmera – como se quisesse nos dizer: “foi minha única saída para quem não viu o documentário entender porque ele foi parar em Nova York”. Péssima escolha.

Depois de muita enrolação, chegamos onde interessa. Indo direto ao ponto, o único motivo de Zemeckis ter decidido realizar esse longa foi para poder recriar algo que Petit e sua equipe não tiveram a oportunidade: a travessia filmada. Pois, graças a um dos amigos já intencionado em lucrar com o feito, existem apenas algumas fotos da façanha. E é nesse momento que Robert se esbalda, usando e abusando dos melhores efeitos especiais. A recriação da Nova York da época, e cada detalhe das torres gêmeas são de deixar o espectador boquiaberto. Assistindo em 3D então, dá frio na barriga. Como tudo foi filmado em estúdio e os efeitos colocados na pós, Robert teve liberdade em criar takes dando a sensação que estamos lá no alto.

Porém, tudo o que precisamos saber sobre Petit já está no rosto de Gordon-Levitt, e tudo o que precisamos saber sobre o perigo da caminhada já é evidente. Se o cineasta tivesse se espelhado na sua fonte de inspiração e confiado no seu próprio potencial, nesse momento cortaria toda a narração e deixaria apenas o silêncio acompanhá-lo.

Esse é o filme. Apenas um complemento do que o documentário (“O Equilibrista”) não teve como mostrar.

Trailer:

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