“Jack Reacher – Sem Retorno”: o título já diz tudo.

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Depois de incorporar um novo herói ao seu currículo em um primeiro longa sensacional, me parece que Tom Cruise ligou o temido modo automático e resolveu fazer um segundo filme cujo o título já é auto explicativo.

Se você, assim como eu, ficou amarradão com a primeira incursão de “Jack Reacher” do livro para à telona sob à chancela de Christopher McQuarrie – tanto na primorosa direção, quanto no roteiro perfeito – assim como a espetacular direção de fotografia do lendário Caleb Deschanel, vai se desapontar bastante com essa nova aventura.

Inspirado também num livro da série de aventuras de “Reacher”, do escritor Lee Child, essa nova produção mostra esse justiceiro solitário tendo que lidar com duas situações bastante peculiares ao mesmo tempo: desvendar uma grande conspiração que envolve o exército americano, e proteger uma adolescente que pode ser sua suposta filha. E é ai que a porca torceu o rabo.

Se na primeira aparição na telona o personagem de Cruise se mostrava uma “super maquina”, muito bem treinado, frio, calculista, e que mal demonstrava sinais de sensibilidade, dessa vez ele se confronta com essa questão familiar que teria tudo para deixa-lo abobalhado. E deixa. Mas não apenas ele, assim como o filme todo.

Para começar, infelizmente, McQuarrie não pode voltar ao batente de diretor/ roteirista, pois estava atarefado com outra produção, e acabaram escalando para o seu lugar Edward Zwick – que já havia dirigido Tom em “O Último Samurai”-. O problema é que Zwick não teve metade da sagacidade de seu antecessor para criar cenas de suspense antológicas, assim como as de lutas e perseguições de carro, fazendo apenas o trivial, com momentos típico de filminho para tv – ainda mais sendo bem acentuados com a fotografia sem graça de Oliver Wood.

E, claro que sua mão fraca no roteiro também teve muito a ver com isso. Com zero de criatividade, ele não consegue prender o espectador em momento nenhum, chegando ao ponto de muitas cenas terem diálogos tão medíocres que, em vez de nos fazer sorrir com um grau de inteligência dramatúrgica, nos faz rir de tanta mediocridade. Pior do que isso, só os terríveis momentos de piadas constrangedoras de dar inveja a qualquer “Zorra Total”.

Assim como James Bond foi se reinventando em cada aventura conforme a reação do público e o andar da carruagem – vide troca de diretores, e até de atores que deram vida ao personagem principal -, Tom Cruise precisa rever seus conceitos sobre dramaturgia urgentemente, ou simplesmente garantir com antecedência um lugar na agenda de McQuarrie.

 

 

 

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