“Todo o Dinheiro do Mundo”: nada a declarar

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Depois de tentar retomar a franquia Alien com sua sagacidade de outrora e meter os pés pelas mãos, Ridley Scott parecia ter tomado tenência ao passar a batuta da direção do novo Blade Runner ao seu pupilo Dennis Villeneuve e ficar só no cargo de produtor. Para alguns ele já demonstrava cansaço ocupando a cadeira de diretor, para outros, como eu, era preciso ele voltar do espaço sideral -seus últimos 3 filmes se passam lá- e pisar em terra firme capitaneando um projeto novo e inusitado. Eis que surge “Todo o Dinheiro do Mundo” (All The Money in The World), baseado na história real do sequestro do neto de um dos homens mais ricos do mundo, Jean Paul Getty, e recusa dele em pagar o resgate.

Porém, o que tinha tudo para ser o tapa de luva de pelica de Scott naqueles que achavam que ele já não é mais o mesmo, acabou sendo um tiro pela culatra e deixou muito, mas muito a desejar.

Depois de conseguir aumentar a expectativa de crítica e público ao fazer uma      “troca de atores” aos 47 do segundo tempo , quando resolveu refilmar as cenas nas quais o personagem de Jean Paul Getty era interpretado por Kevin Spacey e troca-lo por Christopher Plummer – devido as várias acusações de assédio sexual que vieram à tona contra Spacey- , Scott parecia querer deixar claro que estava para lançar seu filme de redenção a qual todos esperavam e nada poderia estragar sua festa.

Contudo, o que se vê é um filme mediano, pra lá de arrastado, o qual parece ter sido filmado com freio de mão puxado, tanto no quesito roteiro – com personagens superficiais e diálogos sem graça – quanto de direção – estilo feijão com arroz-. A única interpretação que merece elogios é, curiosamente, a de Plummer, o substituto, com seu minimalismo ímpar – não é à toa que conseguiu uma indicação ao Oscar. Mark Whalberg e Michelle Williams ficam a ver navios.

No fim das contas , parece mesmo que Scott nunca vai conseguir sair do mar de lama criativa no qual se meteu há anos e vai continuar lutando por um suspiro de elogio a cada filme que lança até chegar o momento no qual o melhor a fazer será se reiventar ou definitivamente jogar a toalha.

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