“15h17- Trem para Paris”: decepção total

15204607765aa063e80d050_1520460776_3x2_md

 

Clint Eastwood parece estar padecendo do mesmo mal que aflige Ridley Scott com o passar dos anos: o cansaço criativo. Idade pesando? Talvez. Fato é que, a cada obra lançada, ambos já não demonstram nem de longe a sagacidade de outrora, quando fizeram marcos da sétima arte como “Alien” e “Blade Runner”, no caso de Scott, e “Os Imperdoáveis” e “Bird”, no caso de Eastwood.

Depois do fracasso no resgate do seu famoso monstrengo com “Alien: Covenant”, Ridley tentou se reconciliar com os fãs lançando o tão aguardado “Todo o Dinheiro do Mundo”, que acabou sendo uma tremenda bola fora. Agora, Eastwood , depois do fraquíssimo “Sully”, onde nos brindou com um Tom Hanks canastra, tenta se reerguer com mais uma história verídica para fechar a trinca que começou com o razoável “Sniper Americano”:  “15h17 – Trem pra Paris”. Infelizmente, um trabalho desastroso em todos os sentidos.

Mais do que inspirado no ocorrido na tal viagem de trem para Paris em 2015, onde 3 jovens militares americanos impediram a ação de um terrorista que, a priori, liquidaria todos os passageiros, Eastwood resolveu fazer algo inusitado: filmar a narrativa do fato usando os próprios amigos, em vez de escalar atores para interpretá-los. O que parecia algo muito arriscado, já que nenhum dos três tinha experiência em frente às câmeras, até que não foi de todo mau – dois levam a responsa na boa e apenas um peca na arte de ser ele mesmo -. Porém, já que o tempo da ação em si não dura mais do que alguns minutos, o que mal daria um curta – pois logo que o terrorista saiu do banheiro armado e atingiu um passageiro, os amigos entraram em ação e o imobilizaram-, Eastwood resolveu voltar no tempo e contar como os “heróis “ se conheceram, indo da infância, passando pela adolescência, até chegar na fatídica viagem. E foi exatamente ai que ele errou feio.

Pra começar, a escolha dos atores mirins foi péssima, chegando ao cúmulo de um deles olhar pra câmera algumas vezes. A fase da adolescência idem, onde além de interpretações forçadas, os diálogos que já eram ruins com os moleques ficam mais enfadonhos ainda.  Quando os verdadeiros protagonistas aparecem, aí começa o “samba do criolo doido”.

Desde situações extremamente caricatas, como a razão para se alistarem nas forças armadas, passando por crises existenciais e lições de moral, até o motivo que os levou a viajar, a história é jogada para o público sem nexo ou qualquer tipo de empatia. Ao chegarem na Europa, então, parece que Eastwood resolveu deixar a narrativa de lado para mostrar pontos turísticos – com ênfase em certos locais de consumo, destacando seus nomes – colocando os personagens em situações que não acrescentam nada à trama – e os diálogos idiotas se destacando cada vez mais- , além de esbarrarem com pessoas que parecem que vão acrescentar algo e somem do nada. A sensação que temos é que o filme ainda não começou. Uma catástrofe.

E com esse andar da carruagem, eis que deparamos com o verdadeiro motivo do filme ter sido feito: o principio de ataque no trem, seguido do final “apoteótico” deles sendo condecorados pelo presidente da França pelo ato de bravura. Só que até ai, já se passaram uma hora e vinte de filme. Ou seja, 99% da duração: o filme tem uma hora e meia.

Ao acender das luzes, a sensação que fica é a de termos perdido nosso tempo vendo mais um exemplo de oportunismo americano barato, de forçar uma barra para fazer o que lhes é de praxe:  afagar o próprio rabo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s