“Star Wars: Os Últimos Jedi”: o desgaste vem à tona.

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Numa década muito distante, George Lucas presenteou o mundo com um filme que seria um divisor de águas na indústria cinematográfica, no quesito “blockbuster”, pois além de gerar filas e filas nos quarteirões do cinema,  viraria fenômeno de vendas de produtos com o título do filme. “Star Wars” se tornaria a galinha dos ovos de ouro que todo engravatado de Hollywood sempre sonhara ter.

De lá pra cá, Lucas fechou duas trilogias e elevou seu patrimônio ao patamar de bilhões de dólares, até resolver que já era hora de pendurar as botas – de certa maneira – e colocar à venda os direitos de seu “universo”. Numa negociação bilionária, a Disney abocanhou o filão.

Sem tempo a perder e com todo o know-how sobre como fazer filmes de sucesso e produtos do mesmo – Mickey que o diga-, a empresa lançou um primeiro longa, dando início a uma nova trilogia. Porém, diferente de Lucas que fez sua segunda leva de filmes passados antes do longa original, os novos donos resolveram dar continuidade à história de Han Solo, Luke e Leia.

“O Despertar da Força” foi uma maneira de juntar os fãs que cresceram vendo os filmes da série – já coroas-, com a nova garotada que estaria conhecendo esses personagens pela primeira vez. Porém, mesmo com um saldo super positivo de bilheteria, o tiro saiu pela culatra com relação aos fiéis seguidores da saga.  Essa nova história nada mais era do que uma retalho dos melhores momentos dos três filmes originais, com uma pitada de efeitos especiais de última geração.

Mas como o interesse principal é ganhar dinheiro, claro,  dois novos filmes foram produzidos e lançados na sequência: “Rogue One”, que foi uma tacada de mestre, pois é um “spin of” (não faz parte da nova trilogia) e se passa momentos antes do começo do filme original – com direito a um roteiro e direção sensacionais-; e o tão aguardado “Os Últimos Jedi”, que estreia essa semana e é a bola da vez.

De cara já digo, os engravatados não cometeram o mesmo erro do primeiro. Esse segundo filme não remete a nada do que já foi visto antes, vira as páginas e anda pra frente.

Mesmo com personagens que apareceram no “Despertar” serem mais humanizados e a grande estrela da vez, Luke Skywalker (Mark Hamill numa ótima presença), ter uma participação essencial, o filme peca por um andamento devagar até mais da metade de sua duração – e olha que são quase duas horas e meia -, com uma trama arrastada e diálogos medianos, com direito a piadas muito bobas, e trilha over sublinhando cenas melodramáticas, nauseantes. Só quase pro final que certas surpresas acontecem – duas até bem boladas-, o filme ganha um pequeno fôlego, mas não passa disso.

Pra mim, já deu. Sei que vai ter aficionados falando sobre ser um roteiro um pouco obscuro, luke e Leia estão maduros, o bem e o mal andam juntos, blá, blá, blá. Mas, com todo o respeito pelo universo que amo desde moleque, forçar a barra está fora de cogitação. Foco nos Spin Off.

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Trailer: “7 Days in Entebbe”, novo filme de José Padilha

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Entrou no ar o trailer de “7 Days in Entebbe”, o mais novo filme do diretor José Padilha (“Tropa de Elite 1 e 2”, “Robocop”). Baseado numa história real ocorrida em 1976, o filme narra o sequestro de um avião comercial da rota Tel Aviv- Paris por 4 terroristas que foi obrigado a pousar em Entebbe, na Uganda, no intuito de exigirem a libertação de 12 palestinos presos em Israel.

Contando com um elenco todo internacional que conta com nomes como Daniel Bruhl, Rosamund Pike, Padilha conseguiu colocar novamente em sua equipe seus “comparsas” brazucas que o acompanham desde sua estréia na ficção com “Tropa de Elite”, o diretor de fotografia Lula Carvalho e o montado Daniel Rezende.

Pelo que promete o trailer abaixo, tem tudo pra ser um filmão – estréia em Maio do ano que vem:

“Patti Cake”: Uma grata surpresa

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A princípio, ao ler a sinopse do filme, pareceu que eu assistiria a um daqueles enlatados  “mais do mesmo”, onde um personagem insosso, aparentemente sem valor algum, vai nos guiar através da sua luta por um lugar ao sol no intuito de tornar realidade seu grande sonho. Porém, depois dos créditos iniciais, fui obrigado a rever minha sensação de “Dejá Vù” ao ser apresentado a uma das personagens mais sensacionais dos últimos tempos: “Patti Cake”.

 Sim, a base do roteiro é exatamente aquele “feijão com arroz” descrito acima, porém, muito mais saboroso, suculento e requintado naquilo que pode haver de melhor num longa como esse: os diálogos.

 Na trama, Patti (Danielle Macdonald), uma gordinha que mora com a mãe e a avó numa casa no subúrbio, tem o sonho de se tornar uma famosa cantora de Rap. Ao lado dela nessa busca pelo estrelato está o seu melhor amigo Jheri (Siddarth Dhananjav), um indiano que trabalha como atendente numa farmácia. Porém, assim como nós encontramos obstáculos pelo caminho, Patti também tem os dela. Sem o apoio da mãe, uma alcoólatra que devido ao vicio teve uma promissora carreira como cantora encerrada prematuramente,  ela tem que se virar  financeiramente para apoiar a avó com problema de saúde. Assim, eles vão ao longo da jornada encontrando outros “desajustados” que, de alguma maneira, farão diferença em suas vidas.

 Aproveitando o ensejo, a escolha dos atores Danielle (Patti) e Siddarth (Jheri) é um gol de placa: a química entre eles é algo de fazer chorar de emoção qualquer produtor de elenco que se preze. Um achado único.

 Com uma mistura de gêneros  – drama, comédia e musical -,  esse excelente trabalho de estréia do diretor e roteirista Geremy Gasper – para o qual tiro o chapéu pelo primor no exercício de suas duas funções no projeto –  nos leva numa viagem emocional que trafega por momentos deliciosos que fazem rir, e muito,  passando por arrepios desmedidos a partir dos improvisos de Patti e suas letras geniais, até as viradas emocionantes vividas por ela e seus amigos.

“Patti Cake”, essa mais nova estrela no currículo do produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, o novo midas da sétima arte, é sem dúvida nenhuma um deleite.

VÍDEO: Entrevista com o diretor Pablo Giorgelli sobre seu novo filme, “Invisível”

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O diretor argentino Pablo Giorgelli, ganhador da Câmera de Ouro (Para diretores estreantes) no Festival de Cannes 2011 por “Las Acacias”, veio ao Brasil lançar seu segundo filme, o belíssimo “Invisível”.

Com base em relações humanas, onde o silêncio é o cerne da sua narrativa, Pablo nos traz uma história com um tema bastante atual, o aborto, onde uma jovem de 17 anos se vê “encurralada” com suas questões diante de uma decisão tão importante que não tem volta.

Com sua simpatia ímpar, Giorgelli me concedeu uma entrevista excelente sobre detalhes de seu longa e as questões além do aborto em si que ele pretendeu abordar.

Abaixo a entrevista e o trailer:

 

VÍDEO: Entrevista com o diretor Michel Hazanavicius(“O Artista”, “Formidável”)

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Ganhador do Oscar de melhor diretor pelo seu sensacional “O Artista” – o qual quebrou todas as bolsas de apostas ao lançar um filme mudo/preto nos dias de hoje -, o francês Michel Hazanavicius veio ao Festival do Rio lançar o seu mais novo filme, “Formidável”, uma  transposição para a telona do livro “Um ano depois”, escrito pela ex esposa do diretor Jean Luc Godard (“Acossado”, “O Desprezo”, “Alphaville”), Anne Wiazemsky .

O filme recria a relação de Godard com Anne no período entre 1967 e 1970 no qual o diretor lança seu tratado político mais feroz nas telas, o longa “A Chinesa”, e na sequência, junta esforços ao grupo militante Dziga Vertov, com a meta de criar um cinema militante.

Abaixo a entrevista que fiz com Michel durante o festival e também o teaser do filme que estreou hoje nos cinemas:

“Blade Runner: 2049”: Belo filme, mas com controvérsias

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Em 1982, após vários entraves artísticos entre o novato diretor Ridley Scott – que tinha “apenas” dirigido “Os Duelistas” e “Alien”- e todos os envolvidos na sua produção, “Blade Runner” foi lançado nos cinemas.

Considerando á época um filme um tanto estranho, incompreendido pela grande maioria do público que pagou ingresso nos primeiros dias de exibição, o novo filme do astro Harrison Ford – que já estava nos holofotes devido ao sucesso de “Guerra nas Estrelas” e “Caçadores da Arca Perdida” – afundou nas bilheterias. Com o passar dos anos, e a grande ajuda do advento do VHS e o surgimento das locadoras de vídeo, o filme foi sendo redescoberto, ganhou fama de cult e acabou virando referencia na seara cinematográfica.

Agora, 35 anos depois de quase ter se tornado uma mancha negra no currículo de Ford e Scott, a tão aguardada continuação chega às telonas para repetir novamente a façanha do seu antecessor: dividir opiniões.

“Blade Runner: 2049” chega com bastante pompa pra saciar a espera dos apaixonados pela saga do caçador de androides Rick Deckard (Ford) para finalmente descobrirem o que aconteceu com seu herói. Só que, como diria a velha máxima, a expectativa de irem com tanta “sede ao pote” pode acabar gerando longas horas de terapia – não é a toa que estou escrevendo num coffee break da minha segunda sessão -.

Bom, vamos aos pontos positivos primeiro para não acharem que a ida ao cinema está fora de cogitação: Com a idade dando certos sinais de cansaço criativo – vide seus últimos fiascos, ops, filmes e o desempenho ruim com crítica a público (“Alien: covenant”, “Exodus”, “O Conselheiro do Crime”) , Ridley Scott foi esperto e resolveu retomar a saga de Deckard apenas como produtor, passando a direção para o seu “pupilo”, o canadense Dennis Villeneuve – que vem mostrando sua genialidade em seu oficio filme após filme (“A Chegada”, “Sicario”, “O Homem Duplicado”, “Os Suspeitos” e “Incêndios”).

Com seu olhar preciso, delicado e criativo, Villeneuve pegou o leme de Scott com uma precisão impar, trazendo ao seu lado seu fiel braço direito, o excepcional diretor de fotografia Roger Deakins, e nos deu de presente uma aula magna de como se fazer um espetáculo visual de tirar o fôlego. Acrescido então de um elenco espetacular que vai do genial Ryan Gosling (como o novo caçador), passando por Jared Leto, Robin Wright, Dave Bautista, Ana de Armas, até chegar na estrela magnânima do espetáculo, Harrison Ford – numa das suas melhores performances em toda sua carreira-, o filme tinha tudo para ser tão bom quanto o original, ou até melhor. Mas não é.

Eis que vem o quesito roteiro. O bom e velho calcanhar de aquiles entra em ação. Com uma trama a principio banal, mas que ganha contornos interessantes durante o seu decorrer, retratando a importância da liberdade, do sacrifício e da família – lembrando que o filme tem quase 3 horas de duração-, ela acaba se diluindo e ficando um tanto confusa e arrastada, culminando num final que…deixa pra lá – no spoilers allowed!-.

No somatório final, sem dúvida nenhuma o longa vai gerar discussões. Seja elas positivas para os fãs do original que não vão se incomodar com a venda de gato por lebre que o trailer do filme passa, quanto para aqueles que inconscientemente adentraram o universo utópico à sua frente e ficaram esperando o famigerado algo mais que no fim das contas nunca há de chegar.

“Mãe!”: Ame-o ou deixe-o

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Se pudesse definir a excelência e maestria do diretor americano Darren Aronofsky em apenas dois filmes eu diria “Réquiem para um Sonho”(Requiem for a Dream) e “O Lutador”(The Wrestler). Duas histórias impactantes, mimetizadas sem firulas como duas odes à sétima arte. E não, não esqueci “Cisne Negro” (Black Swan). Esse, assim como “Pi”(Pi), bateu na trave.

Mas, como todo bom diretor, os infortúnios acontecem. Para Aronofsky eles vieram nas formas calamitosas de “Fonte da Vida”(The Fountain) e “Noé”(Noah). Duas obras esquecíveis, onde uma certa megalomania dominava seu lado artístico. Ou melhor, ainda domina. “Mãe!” (Mother!), seu mais novo longa, que o diga.

Escrito e dirigido pelo próprio Darren, o filme mais parece algo que foi concretizado para simplesmente chocar – e põe chocante nisso-, com o intuito de causar um frisson polêmico, do que algo realmente digno de reverência. Mas, sim, existe algo interessante no meio dessas duas horas de projeção, porém, esse algo mais – não posso dar spoiler- se desgasta com o excesso de situações literalmente perturbadoras que, com certeza, vai levar muitos espectadores a deixarem a sala de cinema antes do término.

Mesmo com um elenco estelar que traz nomes como Jennifer Lawrence – excelente-, Javier Bardem, Ed Harris e Michelle Pfeiffer, a história do casal que tem sua relação afetada quando inesperados visitantes adentram em sua casa vai ser uma opção de consumo de difícil digestão.

Assim, com uma boa dose de pretensão, Aronofsky faz de sua “Mãe!” um produto radical alegórico que aflora nossa sensibilidade, seja para o bem ou para o mal, e o coloca diante de uma singela constatação acerca de sua originalidade artística ao final da projeção: me ame, ou me deixe.