“Transpotting 2”: Tão bom quanto o original!

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Vinte anos se passaram, uma barriguinha ali, uma calvície acolá, mas, no fundo no fundo, Renton, Simon, Spud e Begbie continuam os mesmos. Sorte de Boyle. Sorte nossa.

Depois que “Transpotting” foi lançado em 1996, nenhum filme sobre viciados em drogas foram mais os mesmo. Com um roteiro enxuto, calcado por personagens que viraram cults durante os anos, uma trilha sonora primorosa e uma montagem alucinante, seu diretor, Danny Boyle, foi catapultado para o estrelato, assim como sua trupe de intérpretes – com destaque para Ewan McGregor e Robert Carlyle.

Como todo bom filme, ou melhor, todo bom clássico, os fãs ficaram se perguntando: E ai, vai ter uma continuação ou não vai? Pois bem, partindo do princípio que um roteiro excelente seria o ponto de partida para isso acontecer, um entrave mais sério acabou postergando essa possibilidade: devido à uma briga feia entre Boyle e McGregor – ao fazer o longa “ A Praia” o diretor resolveu troca-lo por Leonardo Di Caprio – , eles ficaram sem se falar durante anos. Pazes feita, história perfeita nas mãos, “Transpotting 2” (T2 – Transpotting) deu o ar da graça.

Com o elenco principal de volta ao set, inclusive pequenas participações marcantes do primeiro filme, Boyle manteve o nível alto de inspiração desde seu último filme – o excelente “Steve Jobs”-, e conseguiu fazer uma continuação tão boa quanto seu antecessor.

A sensação que temos é a de rever velhos amigos do peito que não víamos há muito tempo, e de sentar com eles pra encher a cara numa noite alucinante – relembrando velhas histórias, claro -. Os diálogos efervescentes estão lá, assim como todos os trejeitos – defeitos e qualidades, se é que elas existem- de nossos “compadres”, e a deliciosa trilha, intacta, perfeita em cada canto surge.

No fim das contas, essa duas décadas de espera veio a calhar. Pois, assim como um bom whisky envelhecido, “Transpotting 2” passou por um bom período de maturação para poder ser degustado e apreciado da melhor maneira: no momento certo.

 

“Fragmentado”: a volta por cima de Shyamalan.

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Depois de ter sido alvejado por críticas bem negativas relacionadas aos seus últimos trabalhos, chegando ao ponto de certos comentários afirmarem que sua criatividade havia se esgotado, eis que M. Night Shyamalan ressurge com um tapa bem dado na cara dos incrédulos – admito, doeu – num longa tenso e angustiante chamado “Fragmentado” (Split).

Com uma premissa, a princípio, meio batida, sobre um sujeito atormentado por múltiplas personalidades, Shyamalan consegue fazer a diferença com detalhes originais no roteiro – não posso citar, spoiler-, sua excelente direção e a escolha do seu protagonista, o extraordinário James McAvoy (“X-Men”, “O Último Rei da Escócia”) – que leva o filme nas costas.

Tendo um prato cheio à sua frente de dar água na boca à qualquer ator, McAvoy mostra um perfeito dom de atuação ao imprimir veracidade em pequenos trejeitos e entonações de vozes que diferem as diferentes personas que convivem no inconsciente do jovem Kevin. Excelência pura.

E para contrapor o temido vilão da história, Shyamalan recrutou a linda Anya Taylor – Joy ( “A Bruxa”) para viver Casey, uma das três meninas sequestradas pelo dito cujo, para servirem de refeição para um nova personalidade que está para surgir. Seguindo a mesma linha de atuação de seu colega, Anya se destaca nos silêncios angustiantes de sua personagem, tendo ainda o acréscimo certeiro da trilha sonora que arremata suas intenções.

“Fragmentado” traz de volta a boa forma de M. Night, relembrando não por acaso o melhor dos seus filmes , “Corpo Fechado” (Unbreakable) – sim, eles são do mesmo universo, atenção aos detalhes- , mostrando ao público que a volta por cima pode acontecer com todos nós. Na hora certa, o coelho sempre sai da cartola.

 

Trailer: “O Crime da Gávea”, de Marcílio Moraes.

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Com estréia marcada para o dia 9 de Março, saí o primeiro trailer do filme brasileiro, “O Crime da Gávea”.

Com direção e roteiro de Marcílio Moraes, a trama narra a história de Paulo que, ao encontrar a mulher morta em casa ao lado da filha, começa uma busca pelo assassino e o motivo que o levaram ao crime.

O elenco tem como protagonistas os atores Ricardo Duque e Simone Spoladore, contando ainda com Aline Fanju, Silvio Guindane, Roberto Birindelli e Celso Teddei.

Abaixo o trailer:

 

 

“La La Land”: para ver, rever e rever.

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Com aquele temperamento de bom moço, voz pacata e um jeito de falar que conquistaria o coração de qualquer sogra, Damien Chazelle chega ao patamar de queridinho de Hollywood ao fazer um segundo gol de placa consecutivo com o delicioso musical “La La Land”.

Depois de arrebatar crítica e público com o sensacional “Whiplash” – ganhador de 3 Oscar (som, montagem e melhor ator coadjuvante para J.K. Simmons) -, o jovem diretor de apenas 31 anos conseguiu resgatar um gênero que havia sumido nas telas à pelo menos uma década – algo com relevância, eu digo-, e soube dar sentido à sua escolha com um roteiro pra lá de perfeito, com direito a diálogos e situações distintas, além de belas homenagens à clássicos dos tempos de ouro de Hollywood.

Como uma auto-referencia à sua própria batalha ao sol por um lugar na terra dos sonhos – a tal la la land, apelido dado à Hollywood – , Chazelle escreveu a história sobre o encontro de um pianista de jazz (Ryan Gosling) e uma aspirante à atriz (Emma Stone) buscando oportunidades para conseguirem deslanchar suas carreiras desbravando os temidos obstáculos do meio artístico. A escolha de Damien por Gosling e Stone como protagonistas foi um precioso toque de midas do diretor. Soberbos, precisos e contagiantes, são apenas alguns dos inúmeros adjetivos que definem o que presenciamos na telona.

E pra arrematar, somos presenteados com uma trilha sonora impecável – obra do fiel escudeiro de Damien, Justin Hurwitz-, dando respaldo à números de danças sutis e contagiantes.

“La La Land” é pura graça. Um filme para ver, rever e rever. Um deleite para os olhos, os ouvidos e nossos sonhos.

 

“Animais Noturnos”: Arrebatador!

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Depois de se mostrar um apaixonado por desafios se tornando um expert do mundo da moda ao entrar no comando da marca Gucci e tira-la da bancarrota, Tom Ford, com toda sua inquietude criativa, resolveu ir além. Se enveredou no mundo da sétima arte ao roteirizar e dirigir o belo filme “Direito de Amar” (Single Man), com Colin Firth e Juliane Moore. Sete anos se passaram e, continuando uma referencia mundial no mundo da alta costura e afins, ele resolveu voltar aos holofotes da indústria cinematográfica com um trabalho que supera todas as expectativas, o petardo, “Animais Noturnos” (Nocturnal Animals).

Novamente capitaneando o filme como diretor de um roteiro redigido pelas suas próprias mãos, Ford demonstra que se debruçou num estudo das melhores referencias do suspense, bebendo em fontes como Hitchcock , Kubrick e De Palma – apenas pra citar alguns-, ao nos presentear com um filme fascinante, inteligente e deliciosamente tenso de se degustar.

Com um elenco afinado e com performances arrebatadoras, a trama tem como foco a belíssima Susan (Amy Adams), uma jovem dona de uma galeria de arte que, na mesma época que seu casamento com um galãzinho do mercado financeiro está indo para o buraco, recebe do seu ex – marido escritor (Jake Gyllenhaal) um novo livro que ele está para lançar, dedicado especialmente pra ela. A tensão começa justamente quando ela começa a lê-lo e não consegue mais se desgrudar daquela história misteriosa.

Como alguém que entende muito bem sobre ter classe, Ford nos tira do sério, no bom sentido, e com toda sutileza confirma mais uma vez uma máxima artística que, pra fazer algo bom e de muita qualidade, não basta apenas fazer lições de casa ditadas por professores cheios de diplomas no seu currículo. Se não houver paixão, não rola.

Como diria Lírio Ferreira, “Quando o cabra é bom, é bom”.

 

Trailer: “Blade Runner 2049”, com Ryan Gosling e Harrison Ford

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Desde que “Blade Runner” foi lançado, em 1982, o mundo da ficção científica nunca foi mais o mesmo. Dirigido por Ridley Scott, o filme trazia um inspirado Harrison Ford – num dos melhores papéis de sua carreira- interpretando Rick Decard,um ex policial cujo objetivo é assinar replicantes – andróides idênticos à seres humanos-.

34 anos se passaram, eis que saí o primeiro trailer dessa tão aguardada continuação, “Blade Runner 2049”. Dirigido por Denis Villeneuve (“Sicario”, “A Chegada”), o longa se passa 30 anos depois do fim do primeiro filme, onde um novo caçador de andróides, K (Ryan Gosling), desenterra um segredo que pode colocar o que resta da sociedade no caos e vai tentar de tudo para reencontrar Decard (Ford).

Passando esse precioso bastão para Villeneuve, que para muitos é considerado seu “sucessor”, Ridley Scott retorna apenas como produtor.

 

“Star Wars – Rogue One”: Agora sim!!

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Depois de uma certa decepção com J.J. Abrams e seu “O Despertar da Força”, que vendeu gato por lebre no quesito roteiro original – já que o filme nada mais é que uma nova versão de “Guerra nas Estrelas” recauchutada -, eis que chega aos cinemas “Rogue One”, o primeiro filme fora da curva, ou melhor, um “spin off” da série “Star Wars”.

Com uma trama que se passa exatamente antes do quarto capítulo da saga original – ou seja, do primeiro filme, “Uma nova Esperança” – , acabamos vendo em imagens o que a imaginação dos fãs de carteirinha sempre sonharam em ver: como o plano da estrela da morte foi parar nas mãos de Leia, Luke, Han Solo e cia. E pra quem acha que terá a chance de vê-los novamente no formato jovem nesse novo longa, pode tirar o cavalinho da chuva. O único que dá o ar da graça em uma pequena participação é Darth Vader- não, isso não é spoiler, pois ele já aparece no trailer-. Todo o elenco são personagens novos, sendo alguns já citados em conversar nos outros filmes, mas que nunca haviam aparecido.

Com a direção impecável de Gareth Edwards (“Godzilla”) , o longa tem como sua mola mestra o roteiro. Mesmo com um começo meio arrastado e certos momentos meio blasé – com direito a certos clichês água com açúcar encharcados por uma trilha tendenciosa-, algo muito bem acertado foram os personagens muito interessantes e únicos – com destaque para Jyn Erso (Felicity Jones) e Bodhi Rook (Riz Ahmed)-, que são agraciados com diálogos bem elaborados e inteligentes, tanto em cenas de ação, quanto nas de humor. Além disso, como cereja do bolo, em vez assistirmos jedis em lutas com sabre de luz, temos o previlégio de desfrutar um lugar onde os bandidos e mocinhos resolviam seus problemas no melhor estilo velho oeste: no braço e no tiro.

Diferente da alegoria feita por J.J no seu “Despertar”, Edwards nos traz de volta um universo tenso, “sujo”, assustador e excitante. Um filme que todo fã sempre esperou e merecia.