“Animais Noturnos”: Arrebatador!

NOCTURNAL ANIMALS

Depois de se mostrar um apaixonado por desafios se tornando um expert do mundo da moda ao entrar no comando da marca Gucci e tira-la da bancarrota, Tom Ford, com toda sua inquietude criativa, resolveu ir além. Se enveredou no mundo da sétima arte ao roteirizar e dirigir o belo filme “Direito de Amar” (Single Man), com Colin Firth e Juliane Moore. Sete anos se passaram e, continuando uma referencia mundial no mundo da alta costura e afins, ele resolveu voltar aos holofotes da indústria cinematográfica com um trabalho que supera todas as expectativas, o petardo, “Animais Noturnos” (Nocturnal Animals).

Novamente capitaneando o filme como diretor de um roteiro redigido pelas suas próprias mãos, Ford demonstra que se debruçou num estudo das melhores referencias do suspense, bebendo em fontes como Hitchcock , Kubrick e De Palma – apenas pra citar alguns-, ao nos presentear com um filme fascinante, inteligente e deliciosamente tenso de se degustar.

Com um elenco afinado e com performances arrebatadoras, a trama tem como foco a belíssima Susan (Amy Adams), uma jovem dona de uma galeria de arte que, na mesma época que seu casamento com um galãzinho do mercado financeiro está indo para o buraco, recebe do seu ex – marido escritor (Jake Gyllenhaal) um novo livro que ele está para lançar, dedicado especialmente pra ela. A tensão começa justamente quando ela começa a lê-lo e não consegue mais se desgrudar daquela história misteriosa.

Como alguém que entende muito bem sobre ter classe, Ford nos tira do sério, no bom sentido, e com toda sutileza confirma mais uma vez uma máxima artística que, pra fazer algo bom e de muita qualidade, não basta apenas fazer lições de casa ditadas por professores cheios de diplomas no seu currículo. Se não houver paixão, não rola.

Como diria Lírio Ferreira, “Quando o cabra é bom, é bom”.

 

Trailer: “Blade Runner 2049”, com Ryan Gosling e Harrison Ford

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Desde que “Blade Runner” foi lançado, em 1982, o mundo da ficção científica nunca foi mais o mesmo. Dirigido por Ridley Scott, o filme trazia um inspirado Harrison Ford – num dos melhores papéis de sua carreira- interpretando Rick Decard,um ex policial cujo objetivo é assinar replicantes – andróides idênticos à seres humanos-.

34 anos se passaram, eis que saí o primeiro trailer dessa tão aguardada continuação, “Blade Runner 2049”. Dirigido por Denis Villeneuve (“Sicario”, “A Chegada”), o longa se passa 30 anos depois do fim do primeiro filme, onde um novo caçador de andróides, K (Ryan Gosling), desenterra um segredo que pode colocar o que resta da sociedade no caos e vai tentar de tudo para reencontrar Decard (Ford).

Passando esse precioso bastão para Villeneuve, que para muitos é considerado seu “sucessor”, Ridley Scott retorna apenas como produtor.

 

“Star Wars – Rogue One”: Agora sim!!

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Depois de uma certa decepção com J.J. Abrams e seu “O Despertar da Força”, que vendeu gato por lebre no quesito roteiro original – já que o filme nada mais é que uma nova versão de “Guerra nas Estrelas” recauchutada -, eis que chega aos cinemas “Rogue One”, o primeiro filme fora da curva, ou melhor, um “spin off” da série “Star Wars”.

Com uma trama que se passa exatamente antes do quarto capítulo da saga original – ou seja, do primeiro filme, “Uma nova Esperança” – , acabamos vendo em imagens o que a imaginação dos fãs de carteirinha sempre sonharam em ver: como o plano da estrela da morte foi parar nas mãos de Leia, Luke, Han Solo e cia. E pra quem acha que terá a chance de vê-los novamente no formato jovem nesse novo longa, pode tirar o cavalinho da chuva. O único que dá o ar da graça em uma pequena participação é Darth Vader- não, isso não é spoiler, pois ele já aparece no trailer-. Todo o elenco são personagens novos, sendo alguns já citados em conversar nos outros filmes, mas que nunca haviam aparecido.

Com a direção impecável de Gareth Edwards (“Godzilla”) , o longa tem como sua mola mestra o roteiro. Mesmo com um começo meio arrastado e certos momentos meio blasé – com direito a certos clichês água com açúcar encharcados por uma trilha tendenciosa-, algo muito bem acertado foram os personagens muito interessantes e únicos – com destaque para Jyn Erso (Felicity Jones) e Bodhi Rook (Riz Ahmed)-, que são agraciados com diálogos bem elaborados e inteligentes, tanto em cenas de ação, quanto nas de humor. Além disso, como cereja do bolo, em vez assistirmos jedis em lutas com sabre de luz, temos o previlégio de desfrutar um lugar onde os bandidos e mocinhos resolviam seus problemas no melhor estilo velho oeste: no braço e no tiro.

Diferente da alegoria feita por J.J no seu “Despertar”, Edwards nos traz de volta um universo tenso, “sujo”, assustador e excitante. Um filme que todo fã sempre esperou e merecia.

Circuito Universitário de Cinema exibe Meu Nome é Jacque, hoje, às 17h, no Instituto Pretos Novos

A terceira edição do Circuito Universitário de Cinema, que este ano elegeu o tema Intolerância como temática para discutir os filmes exibidos, estreia nesta segunda-feira, dia 12 de dezembro, no Rio de Janeiro.  Ao longo desta semana, o Instituto Pretos Novos, na Gamboa, será palco da mostra.

Hoje, às 17h, será exibido o documentário Meu Nome é Jacque, de Ângela Zoé. Quarta-feira, dia 14, às 17h, é a vez do filme Menino 23, de Belisário Franca. E sexta-feira, dia 16, às 17h, será exibido Intolerância.doc. Após as exibições, às 18h30, serão promovidos debates com a participação do professor mestre Blonson de Faria, da professora doutora Simone Pondé e da professora mestre Marta Ferreira.

O Circuito teve início dia 28 de novembro e segue até o final de janeiro em 14 estados do Brasil, entre eles: Acre, Alagoas, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Tocantins.

Esta semana também serão realizadas exibições em Natal (RN), quinta-feira, dia 15, e em Vitória (ES), sábado, dia 17. A programação completa pode ser vista no facebook do Circuito Universitário de Cinema 2016.

Com patrocínio da Petrobras e realizado pela MPC Filmes, o circuito tem como objetivo fomentar, no ambiente acadêmico, o diálogo e a reflexão sobre questões de interesse nacional abordadas nos filmes exibidos, despertando nos jovens o interesse pela história do Brasil.

“Mais do que uma simples exibição de filmes, o Circuito Universitário de Cinema é um espaço de ampla comunicabilidade, constituindo-se um eficaz instrumento de divulgação e multiplicação de mensagens.  Acreditamos muito no poder de informação do cinema”, diz a diretora da mostra, Luciana Boal.

Todas as exibições são gratuitas e abertas ao público. Após cada sessão, serão promovidos debates com acadêmicos, pesquisadores, pessoas ligadas a movimentos sociais, culturais e de direitos humanos. A programação completa com as exibições em todo o país pode ser acompanhada pelo endereço do circuito no Facebook.

Para a produção do Circuito, a MPC Filmes conta com 14 Agentes Mobilizadores, responsáveis por articular as exibições nas instituições de ensino, divulgar o evento e convidar debatedores para compor as mesas de debates.

A MPC Filmes é uma produtora carioca com mais de 30 anos de experiência no mercado brasileiro e internacional. Fundada em 1982 pelo produtor e diretor Alberto Graça e tendo como sócia a produtora Luciana Boal Marinho, a MPC atua nas áreas de produção e difusão de conteúdo audiovisual.

 

Serviço:

Data: Segunda-feira, dia 12 de dezembro

Local: Instituto Pretos Novos – Rua Pedro Ernesto, 32, Gamboa

Hora: 17h

Filme: Meu Nome é Jacque

 

Data: Quarta-feira, dia 14 de dezembro

Local: Instituto Pretos Novos – Rua Pedro Ernesto, 32, Gamboa

Hora: 17h

Filme: Menino 23

 

Data: Sexta-feira, dia 16 de dezembro

Local: Instituto Pretos Novos – Rua Pedro Ernesto, 32, Gamboa

Hora: 17h

Filme: Intolerânica.Doc

 

Sinopses:

 

Intolerância.Doc

Duração: 85 minutos

Gênero: Documentário

Direção: Susana Lira

Classificação: 14 anos

INTOLERÂNCIA.DOC é um documentário que mergulha em um aspecto da sociedade brasileira pouco abordado com profundidade: o crescimento dos crimes de ódio e o que está por trás dos discursos de intolerância. Em um país que sempre foi reconhecido internacionalmente pela mistura de raças, ecumenismo de credos e até uma certa liberdade sexual, ironicamente são cada vez mais noticiados crimes de racismo, homofobia e disputas sangrentas entre gangues, torcidas organizadas e até linchamentos.

Trailer: http://globofilmes.globo.com/noticia/intolerancia-doc-trailer/

 

Menino 23

Duração: 80 minutos

Gênero: Documentário

Direção: Belisario Franca

Classificação: 10 anos

O filme segue a investigação do historiador Sidney Aguilar sobre tijolos marcados com a suástica encontrados no interior de São Paulo. Durante os anos 30, nazistas brasileiros levaram cinquenta meninos negros de um orfanato no Rio de Janeiro para a fazenda onde os tijolos foram encontrados. Lá, eles foram escravizados pelos Rocha Miranda, família que fazia parte das elites brasileira, relacionada com empresários alemães e que não escondia sua paixão pelo nazismo. Com a queda de Hitler, a família abortou o projeto e expulsou os meninos da fazenda, deixando os ao seu próprio destino. Sobreviventes compartilham pela primeira vez suas histórias.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=6nr1-ut9EQ0

 

Meu Nome é Jacque

Duração: 72 minutos

Gênero: Documentário

Direção: Angela Zoé

Classificação: 12 anos

Jacqueline Rocha Côrtes é uma mulher transexual brasileira de 55 anos, que vive com AIDS há 21. Ativista de Direitos Humanos e militante a favor dos soropositivos, Jacque tem a vida marcada por lutas e conquistas, inclusive como representante do governo brasileiro na Organização das Nações Unidas. Hoje casada e mãe de dois filhos, mora numa pequena cidade, onde leva uma vida voltada para a maternidade e a família. Ao acompanhar o cotidiano de Jacque e revisitar sua trajetória, o filme aborda a diversidade e apresenta os inúmeros desafios que foram rompidos pela personagem, levantando uma reflexão sobre o preconceito, a homofobia e a identidade de gênero.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=QqoBaviOeHU

Trailer: “Bingo – o Rei das Manhãs”, do diretor Daniel Rezende

 

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Está no ar o trailer do tão aguardado filme “Bingo – o Rei das Manhãs”, primeiro longa dirigido por Daniel Rezende – mestre na direção de fotografia, tendo no seu currículo filmes como “Tropa de Elite 1 e 2”, “Cidade de Deus”- no qual foi indicado ao Oscar-, “Ensaio Sobre a Cegueira”, “Robocop”, entre outros.

O ator Vladmir Brichta interpreta Augusto, um ator em busca dos holofotes da fama que, depois de tanto tentar uma chance na famigerada vida artística, recebe o convite para ser o palhaço Bingo, apresentador de um programa infantil nas manhã de uma tv famosa, e acaba se tornando líder de audiência.

A  história é livremente inspirada na vida do ator Arlindo Barreto, que fazia o famoso palhaço “Bozo” em um programa nas manhãs do SBT.

O filme tem estréia prevista para Agosto de 2017.

Trailer: “Silence”, o nome filme do mestre Martin Scorsese

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Desde 2013, quando lançou “O Lobo de Wall Street”, Martin Scorsese fala sobre sua vontade de realizar esse épico sobre o martírio dos jesuítas no Japão feudal com a propagação do cristianismo.

Com quase 3 horas de duração, o longa traz no elenco Andre Garfield, Adam Driver e Liam Neeson, e tem sua estréia prevista para o dia 23 de Dezembro, nos EUA.

 

“Jack Reacher – Sem Retorno”: o título já diz tudo.

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Depois de incorporar um novo herói ao seu currículo em um primeiro longa sensacional, me parece que Tom Cruise ligou o temido modo automático e resolveu fazer um segundo filme cujo o título já é auto explicativo.

Se você, assim como eu, ficou amarradão com a primeira incursão de “Jack Reacher” do livro para à telona sob à chancela de Christopher McQuarrie – tanto na primorosa direção, quanto no roteiro perfeito – assim como a espetacular direção de fotografia do lendário Caleb Deschanel, vai se desapontar bastante com essa nova aventura.

Inspirado também num livro da série de aventuras de “Reacher”, do escritor Lee Child, essa nova produção mostra esse justiceiro solitário tendo que lidar com duas situações bastante peculiares ao mesmo tempo: desvendar uma grande conspiração que envolve o exército americano, e proteger uma adolescente que pode ser sua suposta filha. E é ai que a porca torceu o rabo.

Se na primeira aparição na telona o personagem de Cruise se mostrava uma “super maquina”, muito bem treinado, frio, calculista, e que mal demonstrava sinais de sensibilidade, dessa vez ele se confronta com essa questão familiar que teria tudo para deixa-lo abobalhado. E deixa. Mas não apenas ele, assim como o filme todo.

Para começar, infelizmente, McQuarrie não pode voltar ao batente de diretor/ roteirista, pois estava atarefado com outra produção, e acabaram escalando para o seu lugar Edward Zwick – que já havia dirigido Tom em “O Último Samurai”-. O problema é que Zwick não teve metade da sagacidade de seu antecessor para criar cenas de suspense antológicas, assim como as de lutas e perseguições de carro, fazendo apenas o trivial, com momentos típico de filminho para tv – ainda mais sendo bem acentuados com a fotografia sem graça de Oliver Wood.

E, claro que sua mão fraca no roteiro também teve muito a ver com isso. Com zero de criatividade, ele não consegue prender o espectador em momento nenhum, chegando ao ponto de muitas cenas terem diálogos tão medíocres que, em vez de nos fazer sorrir com um grau de inteligência dramatúrgica, nos faz rir de tanta mediocridade. Pior do que isso, só os terríveis momentos de piadas constrangedoras de dar inveja a qualquer “Zorra Total”.

Assim como James Bond foi se reinventando em cada aventura conforme a reação do público e o andar da carruagem – vide troca de diretores, e até de atores que deram vida ao personagem principal -, Tom Cruise precisa rever seus conceitos sobre dramaturgia urgentemente, ou simplesmente garantir com antecedência um lugar na agenda de McQuarrie.