“De Canção em Canção”: Ver ou não ver? Eis a questão.

DSC_2102.NEF

 

Desde 1998 quando resolveu voltar com a corda toda à sétima arte depois de dez anos sem produzir, Terrence Malick nos brindou com pérolas como o maravilhoso “Além da Linha Vermelha”, o controverso “ O Novo Mundo” e o peculiar “Árvore da Vida”. Depois disso, tomado por uma vontade insaciável de filmar como se não houvesse amanhã – pois mal começou a finalizar um filme e já estava no set rodando o próximo-, Malick acabou lançando dois longas um tanto sacais – “Amor Pleno” e “Cavaleiro de Copas”- que parecem ter saído da mesma forma criativa, onde a depressão e filosofia existencial norteiam de forma exagerada o roteiro do começo ao fim, deixando o espectador à deriva de bocejos intermináveis. Porém, ainda não dando por satisfeito, Terrence resolve bater novamente na mesma tecla inspiradora – por sinal, já bem desgastada- e lançou o melancólico, lindo e tedioso, “De Canção em Canção” (Song to Song).

Tendo como pano de fundo a cena musical do Texas e seus festivais, o novo filme do diretor foca em dois casais interligados – dois compositores ( Rooney Mara e Ryan Gosling), um produtor (Michael Fassbender) e uma garçonete (Natalie Portman) – que buscam o sucesso em suas vidas no meio de um universo regado a muita sedução e traições.

Mesclando belas imagens produzidas pelo consagrado mestre da fotografia, o oscarizado Emmanuel Lubezki, com performances entediantemente excitantes de seus lindos protagonistas, Malick demonstra nitidamente que seu calcanhar de aquiles é a base dramatúrgica de seus filmes. Não adianta intercalar músicas e efeitos sonoros para tentar distrair o espectador, elaborando uma desconexão auto – indulgente, onde muito dos diálogos proferidos por certos personagens seriam pratos cheios num divã freudiano, se esses longos takes aparentemente aleatórios sobrepostos com um monólogo interior quase inaudível, deixam no ar aquela sensação de que o diretor não está querendo -ou tem medo – de entregar uma cena sustentada em que personagens realmente trocam algum diálogo significativo.

“De Canção em Canção” tem junto de seu elenco de peso o quesito técnico e visual como fator principal para o público mostrar algum tipo de interesse pelo filme, contudo, conseguir prender a atenção do mesmo com a sensação ininterrupta de Deja Vu depressivo beirando a exaustão, com certeza será uma tarefa árdua.

 

Anúncios

“O Círculo”: deixou a desejar.

m-442_circle_11286fdrv1r

Sabe aquele tipo de filme com potencial de sobra para ser um grande campeão de bilheteria, laureado ainda com ótimas críticas, mas, que, infelizmente, não passa de um esboço do que poderia ter sido? Pois é, esse é “O Círculo” (The Circle).

Dirigido por James Ponsoldt, essa adaptação para o cinema do livro de mesmo nome, escrito por Dave Eggers, teve a seu favor o que há de melhor na tecnologia em efeitos especiais, algo fundamental em se tratando de uma história que fala justamente sobre isso: avanço tecnológico. Porém, pecou de forma grosseira na sua base de sustentação : o roteiro.

A trama, que é bem atual e relevante, já que estamos cada vez mais imersos no mundo virtual, gira em torno de uma adolescente que consegue o emprego dos sonhos ao ser contratada pela maior empresa de tecnologia do mundo – um filhote anabolizado do Google com o Facebook- , mas se vê numa enrascada quando se torna parte dos experimentos da mesma.

Com diálogos precários, muitas vezes bobos demais, o desenrolar da história fica bem prejudicado pois, além de aparecer personagens maçantes em situações nada a ver só, pra tentar tapar buracos e forçar uma barra pra dar sentido a trama – como a presença enigmática de Ty, interpretado por John Boyega-, as reviravoltas são de uma sutileza singular de fazer arrepiar da cabeça aos pés as espinhas de Doc Comparato e Robert McKee. Nem Tom Hanks e Emma Watson, as estrelas da empreitada, conseguem salvar algum resquício de interesse com suas interpretações rasas e no modo piloto automático.

Assim sendo, o objetivo do filme, que seria de instigar o espectador com perguntas interessantes sobre o rumo dos avanços tecnológicos, acaba se enrolando tanto que não consegue se quer “responder” as questões que se propõe alavancar.

“A Múmia”: uma tremenda bola fora.

tom-cruise-and-annabelle-wallis-filming-the-mummy_q3ty

 

Recentemente, os estúdios Universal anunciaram uma repaginada no universo dos seus monstros clássicos como o Frankenstein, Fantasma da Ópera, Corcunda de Notre Dame, entre outros, sob a alcunha de “Dark Universe”, no intuito de dar um novo frescor a eles. Para dar o pontapé inicial, o filme escolhido foi “A Múmia”, com nada mais nada menos que o astro Tom Cruise capitaneando a empreitada.

Tendo como base o cultuado filme de mesmo nome de 1932, de Karl Freund, com Boris Karloff aterrorizando como o personagem título, a nova versão é simplesmente uma bola fora em todos os aspectos.

Pra começar o roteiro é precário, com diálogos superficiais, muitas vezes bobos – achando que está fazendo graça-, e desanda numa confusão só do meio pro final – e olha que dentre os três roteiristas , dois são os talentosos Christopher McQuarrie e David Koepp- . Agora, Cruise, que desde que começou a saga da franquia milionária “Missão Impossível” e se consagrou como um herói do gênero ação, parece um peixe fora d’água no meio de toneladas de efeitos especiais. Com uma atuação estilo piloto automático ao interpretar Nick Morton, um caçador de tesouro, fica bem claro que essa escalação totalmente equivocada foi apenas para dar uma “força” certeira, vide $$$$, na bilheteria.  Quem diria, até Brendan Fraser, o pseudo-ator, se saiu melhor com sua versão do mesmo clássico que, devido ao grande sucesso, acabou virando uma trilogia.

E nem a presença de Russel Crowe, um “doutor misterioso”, chega a ser interessante. As poucas cenas que os dois astros contracenam – pela primeira vez em um filme- são tão mecânicas, sem feeling algum, que parece que estamos vendo dois robôs em ação.

Cansativo, essa é, sem dúvida nenhuma, o melhor adjetivo para definir essa mancada universal – sim, o trocadilho é uma homenagem a esse fiasco-. Shame on you, Cruise!

Trailer:

Trailer “American Made”: Tom Cruise, Doug Liman e César Charlone.

american_made_tom_cruise

Entrou no ar hoje o primeiro trailer de “American Made”, dirigido por Doug Liman (“Identidade Bourne”, “Vamos Nessa!”) e estrelado pro Tom Cruise.

Repetindo a parceria que fizeram no filme de ficção científica “O Dia Depois de Amanhã” ( The Edge of Tomorrow), Cruise e Liman contam agora uma história real  de Barry Seal, piloto americano( recrutado pela CIA) que traficou armas e drogas (para o Cartel de Medellín) nos anos 80.  O filme traz o começo de Seal como piloto comercial e a oportunidade para trabalhar levando drogas para os Estados Unidos.

Um grata surpresa para nós, brasileiros, é a presença de César Charlone (“Cidade de Deus”, “Ensaio Sobre a Cegueira”) – um dos maiores diretores de fotografia do Brasil – nos créditos do filme. Como podemos ver no trailer, as belas imagens comprovam sua reputação como mestre da luz.

Vamos ao trailer:

 

“Mulher-Maravilha”: uma ode às mulheres

 

084343

 

  • Crítica de Daniel Braga

Venho de um longa lista de contentamento e algumas decepções com o subgênero de Super-heróis no cinema, especialmente desde a segunda parte da trilogia do “Batman” de Christopher Nolan. Nada que a editora DC produziu tem me alegrado, e alterno entre gostar com ressalvas de algumas produções dos Studios Marvel , FOX e Sony e detestar outros desses mesmos. Posso dizer, como DCnauta que o filme da Princesa Amazona é gratificante. A escolha de deslocar a origem da personagem tradicional da Segunda Guerra e não atualiza-la como os demais heróis desta Era de Ouro ou da Era de Prata, tornando ela mais internacional e menos uma “outra filha adotiva” dos Estados Unidos, como o Superman, é perfeita. Alias, a Warner ter escolhido Patty Jerkins ( “Monster”) como diretora de um filme de guerra é já algo para ser comemorado. Também é importante ressaltar o protagonismo alcançado pela personagem principal, cujo o ponto de vista do filme é o dela em quase 90% do tempo. É também uma vitória para o longo caminho percorrido pelas mulheres, especialmente nesse subgênero em que as personagens femininas, sejam as do elenco de apoio ou mesmo as próprias super-heroínas, pois sempre acabam caindo em alguma situação que falham e/ou precisem ser salvas pelos super-heróis masculinos (nos cinemas, na tevê a história muda de figura).

A origem da heroína tem como fonte maior o trabalho George Perez, que reinventou a personagem criada por William Mouton Martson em All Star Comics #8, em
1941. Perez recontou a história da personagem na mesma época que tantos outros heróis da DC foram reformulados, mas é recheada de conceitos atuais da nova reformulação dos 2010s que inspira os demais filmes do Universo da editora no cinema. Ao contrario de “Man of Steel”, “Batman Vs Superman: The Origino f Justice” e “Suicide Squad”, o filme perde a visão sombria que é característica estética contemporânea dos quadrinhos, jogando uma luz – no melhor sentido da palavra – nas incríveis coreografias de ação e no tom épico. Algo que nem um dois filmes do Thor conseguiu alcançar totalmente em se tratando de um super de origem mitológica. O ritmo inicial do filme não é acelerado como é comum entre os filmes desse subgênero e, talvez, por isso mesmo, prepare o espectador para toda a grandiosidade. Vale ressaltar também que, com relação aos diálogos, as piadas são bem colocadas e nada excessivas.

O filme empolga e engrandece a personagem e seus coadjuvantes – destaque para a Antiope de Robin Wright e o Steve Trevor de Chris Pike -, que ocasionalmente ganham o protagonismo como um bastão de corrida olímpica, mas que sempre volta para a “Mulher-Maravilha” de Gal Gadot. A principio, sua voz e pronuncia em inglês (o que muda quando ela fala outras línguas), além da sua interpretação, não agradam totalmente todos os fãs. Mas, seu carisma e, principalmente, a vivência do personagem -o quanto ela acredita ser a versão atual primeira super-heroína dos quadrinhos – conquista a plateia. O vilão, Ludendorff Danny Huston, porém, alterna entre bons e maus momentos, enquanto a Dr. Veneno de Eleana Anaya é pouco explorada,  sobrando para o antagonista masculino os monólogos que poderiam ter sido suprimidos na épica batalha final. O elenco é composto por estrelas cumprindo seu papel como David Twellis, Connie Nielsen entre outros. A tradicional equipe de suporte/ Alivio cômico é divertida sem ser uma piada o tempo todo, dando pontos de vistas bem pertinentes no processo de Diana para entender as sutilezas e idiossincrasias da sociedade moderna.

Alguns momentos do filme são ressaltados quase em excesso, como a linguagem da câmera lenta, recurso adorado por Zack Syder que,  até pouco tempo, supervisionava o universo DC . Mas, no geral, isso não compromete em nada as cenas de ação e a força sentimental em muitas das cenas dramáticas.

“Mulher- Maravilha” é, sem duvida, muito bem vinda, principalmente pelos fãs,  com sua chegada redentora e, digamos assim, mitológica.

Trailer “Soundtrack”, com Selton Mello, Seu Jorge e Ralph Ineson

unnamed

Acaba de ser divulgado o cartaz e o trailer com as primeiras imagens do filme “Soundtrack”, protagonizado por Selton Mello, Seu Jorge e pelo britânico Ralph Ineson. O longa-metragem conta a história de Cris (Selton Mello), um fotógrafo que viaja para um local inóspito, onde pretende realizar seu grande projeto artístico. Sua ideia é reproduzir em imagens as sensações causadas pelas músicas de uma playlist, selecionada para a experiência.

Uma estação de pesquisa polar é o pano de fundo para a aventura do artista. Isolado, Cris descobre novos pontos de vista a respeito da vida e de sua arte, na companhia de cientistas com seus projetos grandiosos.

Seu Jorge interpreta Cao, botânico brasileiro que investiga a flora em situações extremas e o ator britânico Ralph Ineson (conhecido por séries como “Game of Thrones” e pelo filme “A Bruxa”) é Mark, que realiza um estudo profundo sobre o aquecimento global. O elenco principal também conta com o dinamarquês Thomas Chaanhing, no papel do biólogo chinês Huang, e com o sueco Lukas Loughran, que interpreta o pesquisador Rafnar.

Falado em português e inglês, “Soundtrack” marca a estreia da dupla 300 ml na direção de um longa-metragem. Depois do sucesso do premiado curta “Tarantino’s Mind”, de 2006, eles repetem a parceria com Selton Mello e Seu Jorge.

“Alien: Covenant”: um genérico dele mesmo.

alien-covenant-trailer-breakdown14

 

No auge dos seus 80 anos, Ridley Scott parece que vem padecendo do mesmo mau que atinge muitos diretores renomados de outrora: a repetição – vide, cansaço criativo. Seu novo filme, “Alien: Convenant”, nada mais é do que um genérico dele mesmo. Além disso, sem a metade da graça.

Antecipando essa nova onda de filmes derivados de trilogias de sucesso – como os novos da saga “Star Wars”-, Scott já havia dado o sinal de uma nova visita à gênese da sua famosa criatura ao lançar o cansativo “Prometheus” em 2012, onde a trama se passa bem antes da sua obra prima, “Alien: o oitavo passageiro”, de 1979. Só que, sendo bem sincero, foi uma tremenda frustração para os fãs da série. Na verdade, uma chatice tamanha.

Nessa nova tentativa de angariar novos adeptos da saga, além de tentar saciar a insatisfação dos tiozões, Scott acaba se saindo melhor, porém, continua com o pé na mesmice. Com uma trama nada original, passada 10 anos depois do seu antecessor, uma tripulação de uma nave colônia, com destino a um planeta remoto, descobre um paraíso desconhecido – Uau!-. Porém, contudo, entretanto, o lugar é habitado por uma forma alienígena sedenta por corpos humanos. Dah!!

Mesmo com a impecável direção de Scott e ótimos atores, o filme não sustenta a atenção do espectador simplesmente por ter personagem inócuos, um roteiro fraco de surpresas, e apenas um suspiro de originalidade na reta final.

Por esse andar da carruagem, ou Ridley passa a bola para um novo pupilo – assim como fez com a continuação de “Blade Runner” -, e fica apenas “observando”, ou fecha o tampo de vez. Pois, se no universo espacial de Alien a grande sacada era baseada na máxima de que “ninguém vai ouvir seus gritos”, se continuar assim, aqui na terra o que mais vai ter é pessoas pouco se importando com isso.